Amor e Revolução - y otras cositas más

on quinta-feira, 7 de abril de 2011


Mais difícil do que acompanhar a novela Amor e Revolução, ambientada em 1964, será assistir aos depoimentos reais exibidos ao final de cada capítulo. As pessoas que sofreram os absurdos da ditadura brasileira descrevem como eram as sessões de tortura em minúcias, inclusive, os requintes de crueldade das violências sexuais. 

No estilo endurecer sem perder a ternura, os acontecimentos são conduzidos por casais apaixonados e amores que ainda estão por vir. O suspense fica por conta do faz-de-conta que os protagonistas talvez não tenham um final feliz. 

Apesar da trama romântica sempre marcante nas ficções,  não dá para encarar essa novela como entretenimento. Trata-se de um registro de parte da nossa História que estamos tentando conhecer, ou reconhecer, ao longo dos anos e sempre causa impacto doloroso. Mais do que amor, a novela reflete o terror dos insanos abusos contra comunistas e até mesmo apartidários.

Tivemos Anos Rebeldes, na Rede Globo, em 1992 - com  um casal, desses meigos, cheio de conflitos. A minissérie não podia desenterrar os ossos, entretanto, foi a primeira a dessoterrar os fatos. Aliás, a morte mais bem "morrida" que já vi em televisão foi a de Cláudia Abreu  na pele de uma jovem militante. Eu não vou ficar surpresa se alguém argumentar que rebelde por rebelde hoje temos na Record  a recém-estreada ex do SBT! E não é uma série mini, é uma novela compriiiiiidaaaa retratando jovens rebeldes mexicanos abrasileirados e super atuais... zzzzzzzz...

Na ocasião da minissérie Global, o que havia de mais recente era a própria despedida do governo militar e mal havíamos começado a experimentar a tal democracia. Engolimos o Collor. Digerimos com um impeachment. E continuamos até agora tomando coca-cola para arrotar democracia no peito e na raça. 

Atualmente, podemos exercer livremente os nossos mais íntimos desejos com espantosa dignidade. Caminhando e cantando "quando foi no outro dia, o dregolado falôu: Quem é o cantor? Eu disse pronto...Rapaz, você tá solto! Mas nunca mais cante esse negócio de: Florentina, Florentina"... E eleger um deputado federal semianalfabeto contrariando a nossa Constituição, "por que não, por que não, por que não, por que não, por que não, por que não... Eu vou"... "Vou não, quero não, posso não"...

De repente ou daqui uns tempos, alguma emissora exibe um folhetim "Collorido" e o assassinato de PC Farias pode dar mais IBOPE do que o de Odete Roitman. A preferência é da Globo, que elegeu o Collor, portanto, de certa forma é co-autora dessa parte da História. Jamais esquecendo que TV é concessão do governo, logo, representa o povo. E  não é que o povo assinou a licença, ou sentença, votando no Collor!

De lá pra cá, não dá pra dizer que na nossa democracia pós-ditadura já rolou muita água embaixo da ponte, mas, alguma já jogaram pra fora da bacia, digamos assim.  Democraticamente, acabamos de eleger a nossa primeira presidenta do Brasil, uma mulher que há alguns anos sofreu nos porões da ditadura militar e há poucas horas recebeu uma condecoração das Forças Armadas. 

No presente, Dilma Rousseff conta com os militares para um futuro sem miséria e repleto de segurança. Eis o nosso movimento paz e amor! Só para constar: Eu sou Marina Silva roxa, digo, vermelha, digo, verde! Enfim, eu sou Marina até a próxima coca-cola ou guaraná da Amazônia, afinal, isso aqui é uma democracia, ou não?

Na época do regime ditatorial, muitas canções da MPB foram apresentadas em forma de metáforas e trocadilhos para evitar a censura, um dos agravantes da repressão. "Roda viva", "Pra não dizer que não falei das flores" e "Domingo no parque" são algumas das músicas que compõem a trilha sonora e multiplicam as emoções das cenas de "Amor e Revolução". "Cálice" toca na ferida tanto na originalidade de Chico Buarque quanto na releitura rock-and-roll de Pitty. 

Algo que passa pela minha cabeça é que talvez os ditadores tenham mesmo conseguido emburrecer grande parte do povo, pois, novas composições musicais que se prezem são  artigos de luxo. Calar-me-ei por aqui sobre esse abismo. 

O SBT não exagera quando afirma que essa novela vai dar muito o que falar. Falemos, afinal, uma das revoluções  é a liberdade de expressão. Recomendo aos fortes que abandonem as novelas da Globo. Não bastassem os intervalos comerciais, a grande reviravolta na vida de uma mulher das novelinhas Globais é vender Natura e pagar sua contas no Itaú pela internet. Os homens não cansam de desfilar suas virilidades pilotando seus possantes Kia Motors enquanto se comunicam maravilhosamente via Nextel. É o "merchan" ditando as novelas do plin plin!

Pontos para o patrão Silvio Santos, figura capitalista toda trabalhada na simpatia, parece ter errado, uma vez, no quesito grana e, finalmente, acertado no quesito teledramaturgia. O primeiro sinal de evolução, no quesito conteúdo televisivo, da emissora que carrega o slogan de "A TV mais feliz do Brasil" foi deixar de lado a rebeldia de investir nas produções mexicanas e chiquititas e apostado no heroísmo dos comunas e no talento dos artistas brasileiros para elevar a audiência.

Imagem: Making off do 2º capítulo da novela Amor e Revolução, exibida no SBT.

1 comentários:

lucidreira disse...

Eu assistir o primeiro capitulo e nada mais, realmente vi o depoimento da Sra. que sofreu muito e ainda fizeram os filhos sofrerem muito mais psicologicamente. Tentarei seguir o seu curso caso não tenha que trabalhar até tarde, pois quando chego em casa já passou o horário.
Abraço

Postar um comentário

POR FAVOR, INFORME O SEU WEBSITE OU E-MAIL, NOME OU APELIDO E COMO CHEGOU AO BLOG. OBRIGADA!

Você já é um BB? Inscrições abertas!

......................................................


Blogueiros do Brasil

Amigos do Gostos e desgostos no Facebook

Amigos do Blog Gostos e desgostos