O simples e o complexo

on domingo, 2 de janeiro de 2011

Antigamente, a pessoa ficava doente e procurava o médico, que perguntava: Onde dói? Com o passar do tempo, o corpo humano foi dividido em seções e o próprio paciente precisa se perguntar onde dói para descobrir qual médico consultar. Oftalmologista, ginecologista, dermatologista, cardiologista, endocrinologista, reumatologista, traumatologista, gerontologista, mastologista, num universo de “gistas”, é comum gente simples chegar ao balcão de uma policlínica e solicitar o ecologista.                                     

Eu não estou inventando isso. Trabalhei no serviço público de saúde e atendi muita gente que, na dúvida, pedia consulta com o ecologista. A pergunta “onde dói” passou a ser elaborada também pelo atendente administrativo na incumbência de encaminhar a pessoa ao especialista correto.

Em seguida, pergunta-se o nome do paciente para enviar a ficha ao doutor. Curiosamente, gente simples que vai ao ecologista quando fica doente, pode surpreender na complexidade do nome. Por exemplo: Na época que trabalhei em policlínica era comum uma fila inteira da pediatria formada por Ayrtons Sennas da Silva, mesmo que não fossem Silvas de pai e mãe. E Graces Kellys, sem dúvida, dignas princesinhas no palco da vida.

Jamais vou esquecer o dia que conheci o belíssimo e 100% negro menino Hitler. Não resisti e perguntei aos pais o porquê do nome. Eles responderam simplesmente: Tem um som bonito, não tem, moça? Eu não falei, mas pensei: Adolfo tem uma sonoridade muito melhor. Santo Adolfo, alemão, cuidava de doentes e distribuía remédios aos pobres.

11 comentários:

Fräulein Renata disse...

Taí, boa ideia. Na próxima vez que eu precisar de um médico, vou procurar um ecologista. Todos dizem que o meu problema é virose mesmo! Que diferença faz, né, não? Será que este profissional dirá que a minha virose tem algum fundo ecológico, sei lá, uma origem no projeto Tamar? Como a minha vida tá mais parada do que tartaruga manca, acho até que faria algum sentido (rs).

Um Hitler negro? Isso aí é ironia e ignorância disputando quem fala mais alto. Temo que os meus filhos - se eu os tiver um dia - frequentem a mesma sala de aula que um Osama Bin Laden da Silva. É a nova geração, né? Oremos!

Òtimo post, Lu queridona! Como todos, aliás. Tenha um excelente 2011! Beijão grande pra ti e pra sua mãe!

Otávio Avendano de Vasconcellos disse...

Oi Lu. É impressionante como consegues criar qualidade literária em um fato corriqueiro. Sou apaixonado por isso. Ah, quero te dizer que estou com um novo blog: www.pordentroenahora.blogspot.com. Como já somos seguidores um do outro, te convido a visitar este. Se quiser segui-lo também, vou ficar grato. Um abraço!

Lu Vaz disse...

Renatinha, minha lindona! Eu acho que é possível um pai registrar o filho como Obama Bin Laden, tamanhas as confusões. Sobre os médicos: Virose pode ser tratada no ecologista, claro! Quem mandou não lavar direitinho a sua alface? Quem manda não comprar produto orgânico? Um lindo e maravilhoso 2011 pra vc, minha amiga vitaminada! Beijos da sua amiga Lu.

Lu Vaz disse...

Oi, Otávio! Agradeço o elogio e o convite. Vou visitar o seu novo link e agradeço a sua participação por aqui. Beijão da Lu e feliz 2011!

Mary Miranda disse...

Oi, Lu! Que saudade!!!!!


Você some tanto que eu fico me perguntando: a Lu nos abandonou????
Ufa, que bom que você está aí, minha querida amiga!
Pois é, linda, as pessoas não sabem e nem se perguntam, no sentido mais básico, qual seria o significado do nome que marcará, para o resto da vida, os próprios filhos...
E, cá entre nós, não é maravilhoso sabermos da existência de Hitler negro, branco, brasileiro, japonês e tantos outros?
Onde o meu irmão trabalha, existe um senhor de nome Hitler, que é um amor de pessoa!
Na parte que me toca, tem aqui uma fã dele: esse digníssimo homem ADORA gatos! (Até guardei no PC umas fotos dos gatinhso dele...)
Ele cuida de animais de rua; não deixa nenhum desamparado...
Deveríamos parar com a megalomania de colocar nomes de celebridades nos filhos e construirmos pessoas mais amorosas e realmente boas.
Concordo contigo que em questão de sonoridade, Adolfo soa bem melhor...

Beijos dessa sua amiga que nunca te esquece!

Mary :)

Lu Vaz disse...

Minha linda Mary! Que saudades de vc! Realmente, eu andei meio ausente. Meu 2010 foi bastante agitado, digamos assim. Aos poucos, eu vou tentar me conectar mais com os amigos. O seu comentário me alegra muito, principalmente por tomar conhecimento do seu amigo Hitler que ama os animais. Assim como existem Josés, Antonios, Marias bons e ruins, há de ter alguns Hitler por aí com a missão de trazer luz e semear o amor. Lamentavelmente, eu já conheci um tremendo mau caráter de nome Jesus. Num primeiro momento é chocante conhecer um Jesus maléfico e um Hitler que cuida de animais de rua. É no mínimo algo pra refletirmos, por exemplo, sobre estereótipos e pré-conceitos. Amiga: Bom demais contar com a sua presença por aqui. Beijos dessa sua amiga que também não te esquece, mesmo quando some um tantinho. Beijos, beijos, beijos...

Valéria Braz disse...

Oi Lu... quanto tempo não via um post seu...
Adorei o ecologista.... eu trabalho com uma empresa de pesquisa ambiental, será que podemos virar consultório???? KKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Pior é que a familia nem sabe a história por detrás do nome.... aí quem sofre é a criança!
Beijo linda... bom 2011 pra você

Tiozão das Batidas disse...

O meu amigo Gabriel, vulgo Gabirú , é feio. Ele mesmo se chama de Abacate Atropelado. Ele se acha tão feio e estranho que uma vez foi à uma clínica e pediu para ser atendido pelo Ufologista.

Lu Vaz disse...

Tiooooooooooooooooooo: Eu to gargalhando muito com o seu comentário. Impagável!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

Jackie Freitas disse...

Oi Lu querida!
Adorei, amiga! Como todos, estava com saudades desses seus textos bem escritos e que nos levam às reflexões, mas com a leveza que só você consegue passar! Bem, eu sei bem sobre essas questões de nome...rsrs... venho de uma família esquisita pacas! hahahahaha... Vou te colocar para entender: meu pai: Balbino; minha mãe: Sebastiana; meus avós paternos: Petronilia e Pedro (normal...rsrs).... Aí conheço o meu amor que se chama Sinval (homenagem a um político...affff!!!), que casa com uma mulher chamada Jacira (meu pai adora nomes indígenas...afff....afff...afff!!!)...
Fizemos um trato: quando tivéssemos filhos, colocaríamos nomes "normais" para que eles não carregassem o peso de nomes estranhos e mais os risos das pessoas e nem o "como???" ou "como se escreve???". hahahahaha
Acho que Carolina, Camila, Victor e Gustavo passam tranquilamente, né? hahahaha
Agora...ecologista...hahahaha...foi a melhor!
Grande beijo, minha Lu querida!
Jackie

Cidadão Araçatuba disse...

Demais seu texto! Ri muito! Hitler? Som Bom? Atendeu algum chamado Joseph Goebbels? Rs...
Quanto ao fracionamento do corpo você também está certa, se continuar assim, para nos consultar todos teremos que ser médicos!

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