Micros processados de quinta

on quinta-feira, 17 de junho de 2010


Quinta-feira. Calor intenso e 180 graus até a resolução do vestir. Calçar é fácil. É meia com sapato fechado bicudo. Garantir pé quente pode ser bom para não entrar numa fria.               
                                    
Secura de noroeste. As pontas claras dos meus cabelos médios engancharam nas hastes dos meus óculos escuros. Os óculos são um. Cabelo é um montão, fios reunidos em pontas duplas. Hora de cortar o bem quase pela raiz. 
 
 

Gente não me magoa. O que me desgasta é a minha intuição. Ela tenta gritar mais alto, mais alto, mais alto... E eu a silencio. Escondo até de mim mesma. Como se ela não me pertencesse.
 
Tampo os ouvidos e sigo em frente. Ignorando a placa que diz "atravesse na faixa". Como se a minha razão pudesse dissimular o inevitável. Acontece, acontece que eu sabia. Acontece. Eu sabia.
 
Só uma nota graúda e não conferi o troco. Se não empatamos, tudo bem, alguém saiu ganhando.  No coletivo, almocei um sonho de valsa temperado com salsa de MP3.  


Rodopios de 360 graus. Eu posso dançar. Sei que ele me olhou bem nos olhos e disse: Bem, eu não sou navegador, mas li tudo lá no seu canto do ciberespaço. Lá, lá, lá, hã, o meu canto? E ele: Sim, já te conheço e tanto que nem preciso verbalizar pra te dizer. Mas ele não disse. Isso foi macro. Mas poderia ter sido. E foi. Sonhar distrai. 
 
Será que o doutor perito vai apalpar a minha cabeça? A minha mente é aberta.  Talvez ele encontre um vão e consiga enxergar lá dentro. Gente! Há! Lé! Com cré, o que é? Chorei, sim, e daí? Nem de tristeza, nem de alegria. Chorei de nada. Tudo pode ser nulo; nada há de ser alguma coisa; quaisquer. Dancei!
 
Eu sabia. Guardei em algum lugar tão lá no fundo que nem sei. Não, eu sabia! Eu só não achei. Nem quis procurar. Não queria encontrar. Pois, ressurgiu, já no meio da poeira, dos riscos, arranhões, quebradeiras. Ao lado, ao acaso, entre um sobressalto e o rememorar da certeza. De novo, surgiu o que deixei para trás. 


Deixo, ensurdeço quando me convém. Mas quem disse que é conveniente? Sei e não aprendo. Desde os 12 anos, eu compro os meus sapatos, escolho os passos, ruelas, vãos e avenidas por onde meus calçados levarão os meus pés e safenas. Nunca comprei chapéus!

Sem troco, tudo exato. Mas um trem pode transformar o trânsito do cais em caos. Pombas! Acho que tem uma morta bem ali! Avançamos alguns centímetros a bem menos de cem por hora. Deu pra ver que era só uma folha de revista de fofoca; já sem cor. Amassada em forma de ave. Lançada ao teto de vidro.  Terminei com o Seu Jorge e Tive razão, foi bem legal.

3 comentários:

Cecília disse...

Luzita,ao ler seu texto quase pude visualizar sua caminhada!Intuitiva?Somos,como autênticas piscianas.Chego a ouvir os passos da sua jornada,e o médico abriu sua cabeça?Senão,bastaria olhar no fundo dos teus olhos para ver sua alma.Sim!!!Minha irmã você sempre teve a razão,assim como a música de Seu Jorge.
Bjos com carinho e saudade,
Ciça

Luciana Vaz disse...

Amiga: O médico nem olhou pra minha cara. Tudo que interessa pra perito é papel e encaixar no sistema. Mas a trajetória de ida e vinda rendeu pensamentos e sonhos. Eu não consigo me render à frieza, não tem jeito, amiga! Beijão da sua irmazita Luluca.

Camila vaz disse...

Não sou pisciana, mas ao ler e reler seu texto eu tive a certeza de ter caminhado ao seu lado, ainda me vi fumando um cigarrinho te esperando sair da sala do médico. O Médico foi tão rapido que nem deu tempo de terminar de fumar, rsrsrs...
Ah!! Vc quase sempre tem razão.

Postar um comentário

POR FAVOR, INFORME O SEU WEBSITE OU E-MAIL, NOME OU APELIDO E COMO CHEGOU AO BLOG. OBRIGADA!

Você já é um BB? Inscrições abertas!

......................................................


Blogueiros do Brasil

Amigos do Gostos e desgostos no Facebook

Amigos do Blog Gostos e desgostos